Page 30 - Revista EAA - Edição 81
P. 30

PONTO DE VISTA


                                            Construindo uma

                                            proposta de inovação






                                            Um grupo formado por engenheiros experientes e especializados, trabalhando
                                            juntos para criar uma estratégia e macroprojetos para a engenharia automobilística
                                            brasileira. E mais: em perfeita consonância com a política industrial do setor.
                                            Parece um sonho, mas não é. Há alguns dias, sob coordenação da SAE BRASIL,
                                            foi feita uma reunião de planejamento da Comissão de Motores Otto da entidade.
                                              O evento recebeu representantes da indústria, engenheiros especialistas
                                            e acadêmicos, e membros do Conselho de Tecnologia da SAE. A reunião
                                            contou ainda com a presença do jornalista Bob Sharp, ícone do jornalismo
                                            automobilístico brasileiro. Consultores da Pieracciani, especializados no programa
                                            de incentivos governamentais Rota 2030, também participaram. A política
                                            industrial setorial à qual nos referimos é o próprio conteúdo do Programa Rota
                                            2030, com horizonte de atuação de quinze anos divididos em três ciclos de
                                            cinco anos e que explicita as linhas de interesse estratégico para a engenharia
                   Valter Pieracciani é titular   automobilística no Brasil.
                    da Pieracciani Consultoria  Na reunião, surgiram os argumentos espanta-inovação de sempre: os
                                            bons projetos ficarão lá fora, os planos do governo podem mudar, não somos
                                            competitivos em inovação, etc. À medida que as discussões avançaram, o grupo foi
                                            fazendo cair estes tabus. Somos competentes e competitivos para fazer P, D&I no
                                            Brasil. Ainda mais com a combinação de uma cesta de incentivos que abrange lei
                                            do bem, Embrapii, bolsas e financiamentos, entre outros que, se bem utilizados,
                                            podem fazer com que até 70% de tudo o que for investido em inovação retorne
                                            para a empresa na forma de incentivos. Foi relevante reconhecer que temos
                                            um mercado representativo, crescente e, mais importante, com especificidades
                                            para justificar linhas inteiras de pesquisas locais. Ilustrando este argumento foi
                                  Somos     discutido, por exemplo, por que a Uber, com sua força internacional, teria decidido
                         competentes e      investir R$ 250 milhões para criar um centro de pesquisas no Brasil, tendo como
                           competitivos     foco central a segurança.
                       para fazer P, D&I      Sem dúvida, foi dado um grande e emblemático passo. Engenheiros de
                                no Brasil   diferentes empresas, focados em construir uma única proposta de linha de
                                            trabalho em inovação que abarque os projetos de interesse de cada empresa. Essa
                                            proposta também deverá sensibilizar os governantes, entidades do setor e conselho
                                            gestor do Rota 2030, que definirá os projetos classificados como estratégicos, os
                                            quais passarão a ser objetivo nacional comum. O setor, em especial os engenheiros
                                            brasileiros, passarão a desempenhar um papel ativo e propositivo em suas relações
                                            governamentais, como já ocorre na maioria dos países desenvolvidos.
                                              Os trabalhos seguirão com uma avaliação das tecnologias que são foco do
                                            Programa 2030, vis-à-vis as nossas capacidades tecnológicas locais e as potenciais
                                            parcerias com centros de pesquisa e universidades. A seguir, deverá ser criada uma
                                            plataforma de engenharia a ser apresentada para as demais entidades conexas e,
                                            posteriormente, levada ao governo como proposta.
                                              É uma rara ocasião de juntar cabeças pensantes em torno de uma
                                            proposta única e capaz de sensibilizar os decisores a investir e os governantes
                                            a incentivar cada vez mais a inovação e o avanço tecnológico no Brasil.
                                            Ingredientes de que nosso país tanto precisa.
          30                                                                                janeiro/fevereiro/março
   25   26   27   28   29   30   31   32