
16 de abr
A descarbonização deve ser múltipla e diversa, aproveitando de todas as soluções sustentáveis. Com a urgente necessidade de neutralidade de carbono, restringir rotas tecnológicas limita investimentos e não é o momento disso.
No Brasil, a indústria do hidrogênio verde tem crescido exponencialmente. Recentemente, o Marco Legal do Hidrogênio foi aprovado pelo Governo brasileiro, sob a Lei 14.948 de 2024.
Ele regulamenta a produção de hidrogênio e derivados com baixa emissão de carbono e institui uma certificação voluntária, que ajuda a assegurar sustentabilidade e qualidade.
Altos investimentos no setor do hidrogênio mostram um compromisso com a sustentabilidade. O Brasil pode, e deve, aproveitar essa oportunidade para fortalecer sua cadeia produtiva e se tornar um player do mercado global.
Todo o ecossistema do hidrogênio tem-se mostrado muito vantajoso para a indústria automotiva, incluindo, já, a etapa de produção. A criação de novos empregos e atração de investimentos são pontos-chave nesse contexto.
Quando olhamos para o Brasil, especificamente, a indústria do hidrogênio incentiva a reindustrialização brasileira, garantindo capacitação da indústria por aqui e a nacionalização das tecnologias.
As previsões não são baixas: estudos indicam que o Brasil deve se tornar o principal produtor de hidrogênio verde do mundo, podendo gerar R$ 150 bilhões por ano com a indústria.
Um dos termos utilizados para denominar o hidrogênio verde ajuda a compreender a vantagem brasileira em relação a outros países: “petróleo do futuro”.
As previsões, otimistas para o Brasil, não são novidades. Mas um estudo reúne alguns dados interessantes e mais específicos. Ele foi realizado pela consultoria alemã com participação global, Roland Berger, e ganhou o nome de “Green Hydrogen Opportunity in Brazil”.
Um mapeamento recente realizado pela NIRAS, através do projeto H2Brasil, que possui o objetivo de apoiar o aprimoramento da expansão do mercado de hidrogênio verde, vai além e detalha onde estão as maiores oportunidades para a indústria no Brasil:
No Nordeste está o maior número de projetos de produção de hidrogênio verde em grande escala. Já o Sudeste concentra a maioria das indústrias e fornecedores.
Antes de entender quais oportunidades estão em jogo, e como a indústria do hidrogênio verde está se desenvolvendo no Brasil, vamos entender um pouco sobre suas etapas, utilizando termos já consolidados na indústria de combustíveis, como o petróleo:
Para entender para onde as oportunidades e investimentos apontam, vamos identificá-los em cada uma dessas etapas:
O hidrogênio verde é gerado a partir da eletrólise da água, ou seja, a quebra da molécula de água utilizando energia elétrica. Para garantir que a geração de hidrogênio seja 100% limpa, é essencial que a energia utilizada na produção seja de fonte renovável.
Na etapa de armazenagem, existem algumas possibilidades. Para optar pelo melhor caminho, é preciso considerar algumas variáveis: a distância percorrida até o cliente, o volume de hidrogênio necessário, o tempo necessário para o armazenamento e a velocidade de descarregamento.
Existem dois tipos de armazenagem:
Já a etapa de distribuição também conta com algumas variáveis. De acordo com a quantidade de combustível e destino, as tecnologias podem ser escolhidas para o transporte. Diferentes métodos podem ser utilizados, porém, é de extrema importância garantir uma logística bem-feita, pois isso pode comprometer a qualidade do produto e gerar inúmeros prejuízos.
Além do uso do hidrogênio para veículos de transporte com células a combustível ou motores a combustão, ele pode ser usado de forma não energética – ou seja, quando é utilizado como um intermediário no processo de geração de energia.
Dados da pesquisa da Confederação Nacional da Indústria mostram que o parque industrial brasileiro está envelhecido. Os equipamentos possuem, em média, 14 anos, e quase 40% dos utilizados em solo brasileiro estão próximos disso ou já ultrapassaram a idade máxima.
Ou seja, a competitividade do país é prejudicada por esse fator, assim como os custos e a produtividade em si – máquinas antigas pedem por mais manutenções e tendem a apresentar maiores falhas nas operações.
A indústria do hidrogênio, principalmente com a adoção recente da Política Nacional do Hidrogênio de Baixa Emissão de Carbono e outras iniciativas de incentivo, também é uma forma de posicionar, globalmente, nosso país como um protagonista industrial novamente!
Apesar de todas as oportunidades e previsões, o Brasil ainda não possui consumo local suficiente para atrair grandes investimentos internacionais em hidrogênio. O primeiro passo é se tornar competitivo, desenvolvendo toda a cadeia do hidrogênio para captar interesse externo e fomentar um mercado local robusto.
Implementar projetos-pilotos e hidrogênio por aqui pode ajudar na identificação de desafios específicos e na demonstração do potencial da tecnologia.
Neste caminho, é necessário que o governo incentive a criação de novas empresas e conecte centros de pesquisa com o setor industrial, a fim de promover uma base tecnológica local para o hidrogênio.
A necessidade de investimento em infraestrutura de produção de transformadores e sistemas elétricos também é ponto-chave. Eles suprem a demanda de equipamentos de produção e consumo de hidrogênio.
Outra grande questão para a indústria do hidrogênio realmente está nos investimentos internacionais no Brasil. Para garantir a confiança, é preciso criar uma estrutura regulatória e promover uma governança eficiente e um caminho pode estar aqui mesmo em nosso país!
O Reintegra, criado em 2011, é um programa do governo brasileiro que permite a devolução de parte dos impostos pagos por empresas exportadoras. O grande objetivo em sua criação foi o incentivo à competitividade e as exportações da indústria brasileira.
Neste momento da indústria do hidrogênio verde, o mesmo tipo de incentivo poderia convencer empresas multinacionais a investir em linhas de produção locais, aproveitando a matriz energética renovável e o mercado potencial do hidrogênio.
Os desafios são muitos e variados, mas, como vimos, as soluções também! Existem diferentes associações, movimentos e profissionais, hoje, comprometidos em promover o desenvolvimento da indústria do hidrogênio no Brasil.
Eles têm trabalhado em diferentes frentes para garantir isso, incluindo a realização de planos de ação para o governo.
Em 2024, a SAE BRASIL sediou a primeira edição da Exposição Tecnológica e Simpósio para a Indústria do Hidrogênio, que teve como objetivo apresentar as mais recentes inovações e avanços da indústria do hidrogênio.
Se você deseja se aprofundar ainda mais neste tema e entender a importância, oportunidades e desafios para essa cadeia em nosso país, o e-book do evento está disponível para download gratuito.
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