
23 de out
A indústria da mobilidade está diante de um momento estratégico, onde a sustentabilidade e a economia circular deixaram de ser diferenciais para se tornarem requisitos regulatórios.
O Simpósio SAE BRASIL de Circularidade Veicular 2025 trouxe à luz os temas mais críticos da mobilidade sustentável, com foco nas diretrizes do Programa Brasileiro Mobilidade Verde (MOVER), sucessor do Rota 2030.
Este programa consolida o fim da vida útil dos veículos como pilar fundamental, exigindo que a engenharia atue com uma visão sistêmica e integrada para garantir a competitividade e a conformidade.
O MOVER introduziu o descomissionamento veicular como um requisito regulatório previsto para 2027, com a possibilidade de ser adotado antecipadamente pelas montadoras. A legislação estabeleceu metas progressivas e desafiadoras de reciclabilidade para a indústria automotiva.
Para novos projetos de veículos leves, as metas são claras: a partir de 2027, é necessário atingir 80% de conteúdo reciclável ou reutilizável e 85% de recuperabilidade.
A proposta de descomissionamento visa a retirada de veículos antigos das ruas através de processos estruturados. Para as montadoras, cumprir a meta de descomissionar de 10% a 20% da produção anual pode gerar incentivos fiscais, como a redução de 1% a 2% no IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados).
Tais incentivos estão vinculados a critérios de alto índice de reciclabilidade, produção nacional e baixos níveis de emissão.
Enquanto setores como o aço, alumínio e óleo lubrificante já demonstram maturidade e operam modelos circulares em larga escala, a reciclagem de outros materiais ainda apresenta entraves significativos.
O grande desafio técnico e logístico está nos plásticos automotivos. A complexidade é multifacetada: o setor automotivo utiliza mais de 30 tipos de plásticos. Além disso, a separação de plásticos de engenharia (como policarbonato e PBT), muitas vezes presentes em peças pequenas com aditivos variados, é demorada e cara, e ainda depende majoritariamente de mão de obra manual.
Para que o plástico reciclado pós-consumo ganhe escala, é necessário superar barreiras técnicas, tributárias e operacionais.
Os testes iniciais da indústria mostram que a qualidade do PCR ainda pode ser inferior ao material virgem, reforçando a necessidade de um design para reciclabilidade e a flexibilização das normas técnicas.
A transformação da indústria exige uma abordagem coletiva e sistêmica. O sucesso do MOVER dependerá da colaboração entre montadoras, recicladores, usinas beneficiadoras, academia e governo.
Empresas como GM, Hyundai e Volkswagen já investem em descarbonização, mas destacam a necessidade de uma base de dados nacional confiável sobre a pegada de carbono e de aprimoramento da rastreabilidade e governança em toda a cadeia de fornecimento.
O e-book do Simpósio detalhou as inovações em curso, desde o circuito fechado de alumínio da Novelis e o rerrefino de óleo lubrificante pela Lwart, até as tecnologias de destruição automatizada de veículos da Trufer, que alcança até 90% de reciclagem da massa do veículo.
A circularidade veicular não é apenas uma tendência, mas uma urgência ambiental e econômica, exigindo investimento conjunto em infraestrutura e inovação.
Quer se aprofundar nas estratégias e soluções inovadoras apresentadas por líderes da indústria para atender às exigências do Programa MOVER e garantir a conformidade? O e-book do Simpósio SAE BRASIL de Circularidade Veicular já está disponível gratuitamente.
Baixe agora e descubra como a indústria está construindo o futuro da mobilidade sustentável.