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Por que a descarbonização é crucial para o futuro das cidades?

27 de maio

Para falar sobre a urgência da descarbonização, é preciso entender o impacto das emissões de gases de efeito estufa na atmosfera. Segundo um levantamento do Observatório do Clima, o setor de transporte no Brasil emitiu mais de 203 milhões de toneladas de gás carbônico somente em 2021.

As emissões de carbono pelos veículos no Brasil já correspondem a quase o dobro do valor emitido devido ao desmatamento no Cerrado. Os mais poluentes são os caminhões, seguidos pelos automóveis. E qual o verdadeiro impacto disso?

O uso de combustíveis fósseis contribui com o efeito estufa e o aquecimento global. Como resultado, mudanças climáticas e catástrofes podem ocorrer – e já estão ocorrendo.

Além disso, os combustíveis derivados do petróleo não são retornáveis, ou seja, uma hora irão se esgotar. Isso acarreta em um maior custo para a produção. Além disso, precisam ser extraídos de forma extremamente adequada para não representarem um risco para o meio ambiente e seres vivos.

A poluição causada por veículos e usinas de carvão trazem grandes riscos à vida. A ONU calcula que as mortes derivadas pela má qualidade do ar em centros urbanos já somam mais de sete milhões de pessoas. Em São Paulo, calcula-se que sejam sete mil mortes por ano. A descarbonização contribui para isso. Portanto, as motivações também são para a saúde da população.

Para atingir as metas de descarbonização, compromissos internacionais têm sido selados. O principal deles é o Acordo de Paris, assinado em 2015 e que envolve 195 países.

A descarbonização é urgente. Mas quais as soluções possíveis?

O etanol é o grande protagonista da descarbonização?

Estudos mostram que a procura por etanol deve subir ao redor de todo o mundo nos próximos anos, motivada pelas ações de descarbonização. No Brasil, o uso do biocombustível não é novidade. Já nos anos 1970, o etanol era utilizado como alternativa à gasolina. A motivação, na época, foram as altas dos preços do petróleo. O primeiro carro movido 100% a álcool foi lançado por aqui em 1979, era o Fiat 147.

Outro grande marco do uso do etanol como combustível por aqui foi o lançamento dos carros flex, em 2003. Desde então, ele já evitou a emissão de mais de 600 milhões de toneladas de gases de efeito estufa.

Ano após ano o Brasil vem quebrando recordes de produção de etanol. Somos um dos países que mais produz e exporta o biocombustível. A safra de 2023/2024 resultou em, aproximadamente, 36 bilhões de litros, de acordo com o Ministério de Minas e Energia (MME), número jamais atingido anteriormente por aqui. A entidade considera a produção altamente sustentável.

Assim como essas previsões, existem muitos benefícios que colocam o combustível como um forte candidato a protagonista da descarbonização. Ele não deixa resíduos no motor, mantendo-o muito mais limpo. Por ter mais poder calorífico que a gasolina, o etanol dá mais potência ao motor do carro.

Além disso, as tecnologias existentes nos carros de hoje permitem o uso do etanol, portanto, é possível ser mais sustentável sem grandes transformações ou prejuízos ao automóvel. Ele também é mais barato e costuma ter um maior custo-benefício do que a gasolina. A regra é conhecida: se estiver custando até 70% do preço do combustível fóssil, vale a pena! Por fim, é muito mais sustentável! Comparado com a gasolina, sua produção reduz em até 90% as emissões de CO2.

O etanol é só um dos caminhos para a descarbonização. Em outros países, a eletrificação ou a hibridização de veículos tem sido explorada como alternativa. São muitas as rotas tecnológicas possíveis. Mais do que definir a principal, é necessário explorar todas as vantagens que cada uma oferece. A descarbonização é o foco!

Os benefícios são ambientais, mas também econômicos

Além de todos os benefícios ambientais e sociais, a descarbonização também é uma ação positiva economicamente. O uso de fontes renováveis na produção muitas vezes resulta em uma redução de custos operacionais. Isso porque investir em tecnologias mais sustentáveis pode acarretar na diminuição dos gastos com energia.

Hoje em dia, a transição energética já é incentivada por governos e políticas públicas. Existem uma série de incentivos para empresas que adotam a descarbonização em seu processo de produção.

No Brasil, temos o exemplo do programa Mobilidade Verde e inovação, o Mover. Lançado em março deste ano, ele concede benefícios fiscais e reserva R$ 19,3 bilhões de crédito como forma de incentivo para empresas que investirem na descarbonização de automóveis até 2028. O objetivo é incentivar a pesquisa e o desenvolvimento de tecnologias sustentáveis dentro da indústria automobilística.

O projeto também inaugura oportunidades de capacitação de mão de obra, além de contribuir com a evolução da industrialização brasileira. Isso porque uma das regras estabelece que o investimento da empresa deve ser feito em solo nacional.

Não existe descarbonização sem eficiência energética

Você já sabe que um passo fundamental para enfrentar a crise climática é a economia de energia. Mas já parou para pensar que a eficiência energética é fundamental no processo de descarbonização? E como os governos podem, e devem, contribuir para isso?

Dados da Agência Internacional de Energia mostram que é possível reduzir cerca de 35% das emissões acumuladas de CO2 somente com investimentos em eficiência energética. Especialistas defendem que reduzir a intensidade energética das atividades econômicas pode aumentar a segurança energética do país, um auxílio na transição para uma economia de baixo carbono.

Em setembro de 2023, a Lei da Eficiência Energética entrou em vigor na Alemanha. Ela visa reduzir o consumo de energia em 26,5% até 2030 e em 45% até 2045. Políticas públicas desse tipo são essenciais para a produção industrial e para abrir caminho para a descarbonização.

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