
29 de maio
Atender as demandas de sustentabilidade da indústria automotiva, cada vez mais urgentes, é o único caminho para o vislumbre de um futuro melhor. Para isso, é preciso ter um olhar universal e detalhado para diferentes setores da indústria.
Todo processo, etapa, material, teste e estudo conta. É preciso rever toda a forma como nos acostumamos a produzir. Para frear os impactos climáticos e alcançar a tão necessária neutralidade de carbono, não existe outro caminho.
O setor de materiais tem se posicionado como um grande catalisador das transformações. Na área, o foco principal está na descarbonização e na circularidade, ou seja, na reutilização de materiais que normalmente são descartados.
Neste cenário, entra o alumínio. Um dos materiais mais utilizados na indústria automotiva é também um dos mais poluentes. Vamos saber mais sobre ações que podem minimizar esse impacto e possibilitar o uso do alumínio em um futuro mais sustentável.
A produção do alumínio inicia com a extração da bauxita. O processo de mineração possui grande impacto no solo, e, consequentemente, no meio ambiente.
Uma das suas maiores consequências é a contaminação das águas e do solo nos arredores.
Porém, já existem técnicas que reduzem os seus impactos e garantem a qualidade da reabilitação do solo, tornando a atividade de mineração cada vez menos invasiva e mais responsável.
A Mineração Paragominas, no Pará, investiu em uma metodologia que devolve os rejeitos de bauxita às áreas mineradas.
Já a Unesp de Araraquara desenvolveu uma técnica que utiliza melaço para recuperar o alumínio presente na bauxita.
O resíduo gerado na produção de alumínio é popularmente conhecido como “lama vermelha”. Trata-se de uma mistura que contém ferro, titânio, sílica e alumínio não extraído.
Quando em contato com efluentes e organismos vivos, esse resíduo pode alterar as propriedades e a estabilidade do meio, impactar flora e fauna e prejudicar até mesmo o fornecimento de água potável.
E como tratá-lo de forma correta?
Essa “lama vermelha” pode ser destinada de forma ambientalmente correta. Pode ser usada na indústria cerâmica, na construção civil e no tratamento de efluentes, por exemplo.
A fabricação de alumínio é o que mais consome energia no mundo. No Brasil, para cada tonelada de alumínio produzida, a indústria consome uma média de 14,9 megawatt/hora (MWh) de energia elétrica ao ano.
Esta quantidade de energia representa 6% de toda a energia elétrica gerada no país.
A depender do tipo de energia utilizado nessa produção, o processo se torna ainda mais poluente.
Neste sentido, o cenário nacional se destaca: a produção do alumínio no Brasil está associada diretamente à matriz elétrica brasileira, na qual mais de 80% das fontes são renováveis, com maior presença das usinas hidrelétricas.
Como observado, a produção do alumínio possui certas particularidades que precisam ser observadas com cautela. Os impactos para o meio ambiente podem ser significativos caso não existam duras restrições e orientações.
Um dos caminhos mais eficazes para minimizar os impactos ambientais da produção do alumínio, que pode contribuir para a solução de todos os desafios citados acima, é a reciclagem.
Antes de explicar como, um dado se mostra necessário: o tempo médio que os resíduos de alumínio levam para se decompor na natureza são de 200 anos.
O alumínio é considerado um material 100% reciclável, pois não se degrada no processo de reciclagem. Se um quilo de alumínio for reciclado, um quilo será recuperado.
Fora isso, para se reciclar uma tonelada de alumínio, gasta-se somente 5% da energia que seria necessária para se produzir a mesma quantidade de alumínio primário, ou seja, uma grande economia em energia.
A reciclagem do alumínio também ajuda a diminuir a extração de recursos naturais como a bauxita e diminui o volume de lixo gerado que teria como destino aterros sanitários.
No cenário nacional, ainda existem muitos benefícios econômicos já explorados: a indústria de reciclagem do material gera emprego e renda a trabalhadores que vivem disso, os conhecidos catadores de alumínio.
A empresa Novelis é referência mundial em laminados e reciclagem de alumínio.
Na América do Sul, a empresa opera com duas fábricas e 15 centros de coleta, promovendo a redução significativa da pegada de carbono ao substituir o alumínio primário pelo reciclado.
A empresa ainda investe em tecnologias avançadas, como inteligência artificial e sensores, para melhorar a separação de sucata automotiva e aumentar o uso de material reciclado nos produtos.
A 17ª edição do Simpósio SAE BRASIL de Novos Materiais e Aplicações na Mobilidade reuniu conteúdos de alto valor sobre o futuro dos materiais e novas tecnologias na indústria da mobilidade.
O alumínio foi pauta central de duas palestras e comentado em debates e mesas redondas.
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