
2 de abr
A mobilidade está passando por uma profunda transformação em direção a um futuro mais seguro, inteligente e sustentável. Cada vez mais acelerado, esse movimento exige uma somatória de esforços. A colaboração é peça-chave neste cenário, assim como a personalização.
A resposta para a neutralidade de carbono não está em uma só rota tecnológica, única. Cada região, estado e país guarda um diferencial, o que exige particularidade nas soluções e decisões. Falar sobre a transição energética no Brasil, hoje, é falar sobre biocombustíveis e bioenergia.
Uma ampla experiência no agronegócio e um protagonismo, por anos, em bioenergia, começam a definir como o Brasil pode se tornar protagonista mundial na transição energética. Com uma matriz energética altamente renovável e um setor de biocombustíveis consolidado, nosso país tem grande potencial de liderar a transformação no setor de transportes.
E como o caminho para essa liderança está sendo construído? Quais iniciativas estão impulsionando o protagonismo de biocombustíveis por aqui? Como nos tornamos líderes na produção global de bioenergia?
No artigo de hoje, vamos explorar a vocação do nosso país quando o assunto é mobilidade sustentável: os biocombustíveis e a bioenergia. E mais: entender como transformar essa vantagem natural em um modelo de desenvolvimento sustentável para o mundo.
Você já deve saber que o Brasil possui uma das matrizes energéticas mais limpas do mundo. Além deste marco, somos um dos maiores produtores globais de biocombustíveis. Por isso, o cenário para investimentos e oportunidades de inovação na mobilidade sustentável é muito positivo!
Tudo isso é resultado de uma história natural ligada à produção agrícola e da construção de uma sólida infraestrutura.
Em território nacional, já substituímos um terço da gasolina com o uso de etanol e 14% do diesel fóssil com biodiesel. Vamos saber mais sobre isso à frente.
1920-1930: Os primeiros experimentos com etanol como combustível surgiram ainda na década de 1920, com testes em motores a combustão.
1975: O governo brasileiro lança o Programa Nacional do Álcool (Proálcool) em resposta à crise do petróleo. O objetivo era diminuir a dependência dos combustíveis fósseis, cuja produção estava prejudicada pela crise. Assim, inicia-se a produção e o uso do etanol como uma alternativa à gasolina.
1990-2000: Entre altos e baixos, o uso do etanol passa a ser incentivado por diferentes iniciativas. A indústria automobilística começa a se preocupar com a intensidade das emissões de gases de efeito estufa e o biocombustível desponta como uma solução.
2003: Acontece uma das maiores revoluções no setor automotivo brasileiro. Os chamados veículos “flex” são lançados no mercado, inaugurando uma nova mistura de combustíveis que logo se torna muito popular: a gasolina e o etanol.
2017: O RenovaBio entra em vigor. O programa impulsona a produção sustentável de biocombustíveis, preocupando-se com a redução nas emissões de carbono não só na circulação dos veículos, mas também na produção dos combustíveis.
2020-hoje: O biodiesel e o biometano vão ganhando espaço como opções sustentáveis para transporte de cargas e transporte público. Ao mesmo tempo, diferentes tipos de biocombustíveis viram foco de pesquisa e inovações, sendo cada vez mais utilizados e valorizados.
Muito além do etanol, o Brasil tem apostado, durante anos, em diferentes tipos de biocombustíveis em sua matriz energética. Cada situação exige um tipo. Um exemplo de destaque é o biodiesel. Desde 2008, tornou-se obrigatória a mistura de biodiesel no diesel comercializado no país, com a intenção de reduzir a pegada de carbono.
Quando entrou em vigor, essa obrigatoriedade garantia a adição de 2% de biodiesel ao combustível fóssil. Desde o ano passado, ou seja, 16 anos depois do início desse projeto, a mistura atingiu um importante marco: 14%, o maior percentual já praticado no país. A tendência é que ele suba ainda mais e mais!
Políticas públicas de fomento ao setor da bioenergia e biocombustíveis no país também são necessárias para incentivar sua produção e impulsionar o protagonismo no Brasil na transição energética.
A Lei Combustível do Futuro é considerada um grande marco, consolidando o uso de biocombustíveis e incentivando o desenvolvimento de novas rotas tecnológicas.
Sancionada em outubro de 2024, sua aplicação inclui a criação de programas nacionais para a produção de diesel verde e o combustível sustentável de aviação, além de ajustes nos percentuais de mistura de biocombustíveis.
Outra iniciativa de grande importância neste cenário é o Acordo de Cooperação para a Mobilidade de Baixo Carbono (MBCBrasil), que defende a descarbonização dos transportes por meio de múltiplas rotas tecnológicas, ressaltando o uso de biocombustíveis, eletrificação, biometano e hidrogênio verde.
A abordagem defendida pelo MBCBrasil considera as especificidades socioeconômicas do país e o privilégio natural na produção de biocombustíveis.
Um ponto crucial na discussão sobre biocombustíveis é sua real contribuição para a sustentabilidade. Embora evitem emissões durante o uso, sua produção também precisa ser verde.
Aqui no Brasil, o RenovaBio, a Política Nacional de Biocombustíveis, instituída em 2017, garante que a pegada de carbono da produção seja contabilizada e reduzida.
Além disso, novas tecnologias, como o uso de biomassa residual para geração de energia, estão tornando o setor ainda mais eficiente e limpo!
Cada vez mais estamos vendo que é possível expandir a produção de commodities agrícolas sem provocar desmatamento, diferente do que muitas pessoas ainda imaginam.
Técnicas agrícolas avançadas permitem maior sustentabilidade na produção, assim como a utilização de áreas de pastagem degradadas, para recuperação e aproveitamento na produção de biocombustíveis.
A bioenergia representa uma oportunidade única para o Brasil. Combinando políticas públicas, inovação e práticas sustentáveis, nosso país pode consolidar sua posição como um dos principais fornecedores globais de soluções para a mobilidade sustentável.
A transição energética não é apenas uma necessidade ambiental, mas também uma oportunidade econômica e social para o Brasil.
O protagonismo da bioenergia e dos biocombustíveis foi parte crucial da programação do Congresso SAE BRASIL 2024. Com a contribuição de líderes do setor, envolvidos de forma prática na transformação e inovação, tivemos um encontro com muitos frutos de sucesso!
Parte disso você pode conferir no e-book que já está disponível para download gratuito. Acesse agora o formulário e garanta sua cópia! Veja como o Brasil tem de tudo para ser um líder mundial na bioenergia aplicada à mobilidade.